Quarta-feira, Setembro 29, 2004

Amar é um golpe de sorte
Não vive de grandes obras
Não vive de oferendas
Não procura razões
Nem obedece a expectativas

É descobrir, num outro
Numa alma fora de nós
Um leito em que repousar
Uma labareda com que nos acender
Um tesouro
Que é só nosso

É existir contrariado
Porque aquilo que é nosso
E sabemos com certeza
Não passa de palermices
Com que nos enganamos
E levamos a vida no medo
E segurança das falhas dos outros

A chave para a felicidade
E a definição do que é o Amor
É descobrir num outro
A resposta às duvidas que temos
A refutação das nossas crenças
A surpresa de vermos a perfeição
Reflectida num espelho amolgado
Porque o que de feio há em mim
Tu reflectes perfeito

Completas-me, Carolina
Eu adoro-te
Amo-te
E se existe alma que me acenda
E me traga paz e felicidade
É a tua
Minha Deusa
Desde há um mês e meio que não escrevo. Primeiro foram as férias que me mantiveram longe deste espaço de que tanto gosto. Depois, tive mais um momento que ensombre este ano: o meu avô, com quem vivia há 3 anos, faleceu. De um dia para o outro. Como todas as vezes este ano. Como começa a ser habitual. Convivo quase tanto com a morte como com a vida. Abrir uma agência funerária afigura-se como provável career change.
Taxionomia de umbigos Há um assunto que me perturba desde a minha mais tenra infância. Do meu baú de memórias de criança existe um episódio que se destaca sempre que me deparo com um abdómen desnudo: a ocasião em que, na praia, me apercebi pela primeira vez de que meninos havia com umbigos feios. Já sei que poucos entenderão o que pretendo dizer com isto. Para mim, existe aquilo a que se chama um umbigo perfeitinho. Modéstia à parte, o meu inclui-se nesse selecto grupo. Umbigo perfeitinho, como é claro, é todo aquele que se apresente como uma perfeita covinha no meio da barriga, sem que se lhe veja o fundo. Este standard de perfeição só se obtém se, na altura do parto, o obstetra faça no cordão umbilical uma cisão bem rentinha, seguida de um fecho do umbigo pleno de mestria e habilidade. Quando o obstetra é artífice de capacidade deficiente ou pobre em brio, ou o cordão umbilical é de material de qualidade duvidosa, podemos obter uma vasta gama de resultados. O exemplo clássico é o umbigo bola de carne. Para mim só é digno de um adjectivo: repulsivo! É um bocado de pele enrugada que se projecta para fora de uma ameaça de cavidade, endurecida e a gritar aos sete ventos: fui parido com pouco cuidado. Dependendo do grau de descuido em acção no momento do corte do cordão, podem aparecer vários tipos de umbigo. Há o remendiado, que apesar de não ser saliente continua a exibir um nó ou cicatriz de forma estrelada no fundo da cavidade umbilical, com a agravante do diâmetro da cavidade não diminuir em profundidade. Podemos ainda distinguir vários graus de umbigo feio: quando, ainda que não seja projectado, é notório que há restos de cordão no umbigo, ou que a cicatriz ficou à mostra, ou até uma ameaça de volume para além da barriga. O grau que fica acima do umbigo feio mas abaixo da bola de carne, é o botão de rosa. A todos vós que têm umbigos feios, os meus pêsames. Mas não se esqueçam que a aparência não é tudo na vida. Só é para as coisas que importam.